França: sindicatos realizam nova jornada de mobilização nacional contra reforma da previdência

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Esta quinta-feira (16) é um novo dia de mobilização nacional na França contra a reforma da Previdência proposta pelo governo de Emmanuel Macron. O texto avança no debate no plenário, apesar do rechaço popular. A proposta é aumentar o tempo de contribuição e a idade mínima de aposentadoria. 

 

Nesta quinta jornada a participação popular é menor, depois de duas convocatórias nacionais que levaram cerca de 1 milhão de franceses para as ruas. 

 

O primeiro dia de mobilização, 19 de janeiro, reuniu cerca de dois milhões de pessoas segundo os sindicatos, um milhão segundo a polícia. A segunda jornada, no dia 31 de janeiro, mobilizou em torno de 2,8 milhões de pessoas segundo os sindicatos, 1,2 milhão segundo a polícia. 

 

Já o terceiro dia de greve geral, 7 de fevereiro, movimentou cerca de 2 milhões de acordo com a Central Geral dos Trabalhadores (CGT), 757 mil segundo o ministério do Interior. No último sábado (11), no quarto dia de paralisação reuniu mais de 2,5 milhões de manifestantes, segundo a CGT, e 963 mil segundo ministério.

 

Em Paris, a passeata desta quinta começou às 14h hora local (10h em Brasília), na praça da Bastilha. A CGT espera reunir pelo menos 300 mil pessoas no centro da capital francesa. 

 

No setor de transporte, cerca de 14% da categoria está paralisada, segundo a empresa nacional de transportes, Société Nationale des Chemins de Fer Français (SNCF). Entre os trabalhadores da aviação civil, há um percentual de 30% de paralisação, segundo a Direção Geral de Aviação Civil (DGAC). 

 

No setor energético, há paralisação em usinas nucleares, termelétricas e hidroelétricas, diminuindo a geração de energia em torno de 3000 MW. Já no magistério a adesão é de 7% dos professores. 

 

Dois em cada três franceses se opõem ao aumento da idade mínima de aposentadoria de 62 para 64 anos, de acordo com o Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop).

 

A proposta de Macron é aumentar a idade de aposentadoria de 62 para 64 anos, e aumentar o período de contribuição para 43 anos para ter direito à pensão integral. As mudanças seriam aplicadas de maneira gradual a partir de setembro deste ano até 2027.

 

A coalizão de esquerda Nova União Popular Ecológica e Social (Nupes), composta por 131 deputados, retirou cerca de 3 mil emendas à proposta original do texto para centrar as discussões na manutenção da idade mínima atual para aposentadoria. O deputado Jean-Luc Melenchon (França Insubmissa) disse que a jornada de manifestação de hoje é o último sinal antes do “bloqueio total” do dia 7 de março – data em que está prevista a votação final do texto.

 

O presidente Macron disse que a esquerda está perdida. Em resposta, durante a manifestação na cidade de Montpellier, Mélenchon disse “ele não entende nada. Nós, o povo francês, temos uma bússola que é: os esforços do trabalho devem ser recompensados para o progresso de todo mundo”.

 

 

Se o texto da reforma não for aprovado pela maioria dos parlamentares, a primeira-ministra Elisabeth Borne disse que pode recorrer ao artigo 49.3 da Constituição, que autoriza a premiê a levar adiante o projeto no Legislativo se receber o aval do Conselho de Ministros. Nesta legislatura, Borne já recorreu dez vezes ao artigo 49.3 para levar adiante políticas sem maioria parlamentar.

 

Michele de Mello

Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 16 de Fevereiro de 2023 às 13:12

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