Mês da Mulher: evento de trabalhadoras no SIEMACO-SP discutiu o empoderamento e celebrou a união feminina

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Na manhã desta quinta-feira (23), o SIEMACO-SP reuniu em sua sede dezenas de trabalhadoras da Limpeza Urbana e do Asseio para um animado café da manhã, seguido de palestras e dinâmicas para celebrar o Mês Internacional da Mulher.

A diretora da Secretaria Geral, que também é a responsável pelo SIEMACO Mulher, Márcia Adão, acompanhada da diretora Daniela Sousa, da subsede Santo Amaro, saudaram as mulheres presentes e debateram os temas mais pertinentes à categoria na atualidade: carga horária estendida, com dupla ou tripla jornada de trabalho; salário menor do que dos homens; cansaço excessivo; assédio (moral e sexual) no ambiente de trabalho e no transporte, machismo estrutural, entre outros. “Estes eventos fortalecem nossos laços, como mulheres trabalhadoras que tem tantos desafios na sociedade. Mostrar para nossas companheiras que elas não estão sozinhas, que existe um caminho de liberdade e respeito, acolher e reforçar a sororidade entre nós, este é o intutito desse dia”, explica Mácia Adão.

 

As convidadas Rita Quadros e Pamela Godoy, ambas representando a organização Fazendo Gênero, falaram e interagiram, de forma bastante descontraída, sobre a luta diária para ampliar as conquistas das trabalhadoras, que são mulheres, mães, filhas, e devem ter garantidos seus direitos nas convenções coletivas de trabalho. Elas lembraram que a luta não deve ser exaltada apenas no mês de março, mas a vida toda.

 

Também participaram do evento as diretoras Silvana Souza, Maria Silva, Andrea Ferreira, Roselena Santana Alves e Zélia Maria Soares.

 

Ao final do evento foi lido um documento, elaborado durante a palestra e contendo os principais temas debatidos, que pautará todas as ações do SIEMACO-SP nos assuntos relacionados à Mulher.   

 

Documento SIEMACO São Paulo

 

Evento “Empoderamento das mulheres em defesa de um mundo com direitos e oportunidades iguais”

 

São Paulo, 23 de março de 2023.

 

As mulheres são subjugadas na sociedade a todo momento. No trânsito, na possibilidade de tirar uma carteira de habilitação ou nos desafios que impõem para que ela busque sua liberdade e independência. E no transporte público, ao escolher esta modalidade, além de ter que lidar com o tempo de transporte e a lotação, o assédio é a maior dificuldade (seja com olhares, falas ou toques).

 

Todos os principais pontos de dificuldade convergem em um só tema: o assédio social. As conquistas das mulheres são subjugadas, relacionando seus méritos a fatores externos ou até mesmo pelo uso do seu corpo para uma promoção. A competência da mulher está relacionada com análises pejorativas, como se a competência e o profissionalismo não existissem no gênero feminino. Toda essa pressão social é extremamente danosa e coíbe a mulher de buscar seus direitos e sua liberdade. A sociedade cria um ambiente para manter a mulher na retaguarda, e cabe a nós mudarmos este conceito – como foi dito na palestra, não nascemos com a pré-disposição de servir. Temos o direito de escolher nosso destino.    

 

Com esta análise, avaliando as discussões colocadas durante do evento, podemos concluir alguns pontos principais que afligem as trabalhadoras brasileiras:

 

 O transporte público deve e precisa ser mais humanizado. Sistemas de vigilância, população engajada e a possibilidade de áreas específicas para mulheres são mais que necessárias para deixar o sistema igualitário (não queremos vantagens, queremos condições iguais de tranquilidade dentro do transporte público)

 

Programa de incentivo à primeira CNH. Empresas e sindicatos podem criar um sistema de apoio para que as mulheres busquem sua independência no trânsito, com descontos em autoescolas e parcerias que ajudem as trabalhadoras a buscar outras formas de transporte.

 

Dentro das empresas e dos sindicatos, é importante termos um ambiente de acolhimento. Um local onde podemos dividir frustrações, podemos fazer uma denúncia ou simplesmente nos sentirmos apoiadas.

 

O sono é essencial. A tripla jornada consome a vida da mulher. A maioria deve fazer janta, arrumar a casa e cuidar dos filhos. Palestras e programas de incentivo são essenciais para mostrar para as mulheres que as obrigações de casa devem ser divididas por todas as pessoas que moram naquele ambiente.

 

Programa Sororidade. A mulher não precisa disputar espaços com outra mulher, deve celebrar conquistas. Os sindicatos podem criar um programa de conscientização e apoio no ambiente de trabalho, para que as trabalhadoras se apoiem e busquem, juntas, novas áreas e quebrem o machismo estrutural dentro das empresas.  

 

Estudar e ter tempo para mim. O trabalho deve ser um apoio, um ambiente de incentivo que facilite a busca da mulher por mais conhecimento. O incentivo deve partir para liberar a mulher um pouco mais cedo em dias de aula, criar bolsa ou planos de carreira específicos para mulheres em áreas que sejam dominadas por homens.

 

Secretaria da Mulher do SIEMACO São Paulo

 

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