2º Encontro Nacional
CONASCON exige fim da escala 6×1 e promete cobrar parlamentares nas urnas

| 0

 

A CONASCON, entidade que representa a força de trabalho responsável pela Limpeza Urbana e conservação de hospitais, escolas, shoppings e centros urbanos do país, consolidou o debate nacional sobre a jornada de trabalho. Durante o 2º Encontro Nacional da categoria, realizado nos dias 26 e 27 de maio, em Salvador, a Confederação tratou a revisão da escala 6×1 como uma pauta prioritária para a atualização das relações trabalhistas brasileiras.
Para a Confederação, o modelo 6×1 apresenta desafios para a qualidade de vida dos trabalhadores. O setor de asseio e conservação convive com uma realidade em que jornadas de trabalho se somam a tempos de deslocamento que, em grandes centros, superam duas horas diárias. Ao retornar para casa, o trabalhador, que compõe a base do setor, enfrenta as demandas domésticas, o que reduz o tempo disponível para descanso ou convivência familiar.

Moacyr Pereira, presidente da CONASCON da UNI Américas – Serviços a Propriedade, afirma que o setor de serviços é um dos que mais aplica esse regime. “Defendemos a necessidade de mais tempo para o trabalhador. Ele precisa ter condições de exercer seu papel de pai, de mãe e de cidadão. Os dados indicam que o descanso adequado auxilia na produtividade. Um país que busca desenvolvimento precisa considerar o equilíbrio entre a jornada e o bem-estar da sua força de trabalho”, declara Moacyr.

A importância do tema é embasada pelo cenário nacional. Relatórios da International Stress Management Association (ISMA-BR) indicam que o Brasil apresenta índices elevados de estresse profissional, com casos de esgotamento atingindo categorias de alta exigência física. Além disso, dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelam o aumento de concessões de auxílios-doença por transtornos mentais, o que reflete a pressão causada por regimes de trabalho rígidos.

O dirigente reforça que a redução da jornada é vista como um estímulo à eficiência, amparada por resultados globais e nacionais que discutem o impacto da carga horária na economia. Estudos de referência, como o experimento realizado pela Microsoft no Japão em 2019, demonstraram aumento na produtividade após a redução da jornada. No Brasil, especialistas em gestão do trabalho observam que regimes exaustivos aumentam o absenteísmo (que são as ausências frequentes do trabalhador) e o turnover, termo que define a alta rotatividade de pessoal, onde a empresa perde profissionais e precisa contratar e treinar novos frequentemente. Esse cenário gera custos operacionais, uma vez que a substituição de um funcionário envolve investimentos em contratação e treinamento.
“Ao contrário do que setores que se opõem à redução da jornada afirmam, a alteração pode estimular a eficiência. O trabalhador com descanso adequado tende a ser mais engajado e produtivo. O fim da escala 6×1 é, acima de tudo, um debate sobre o modelo de produtividade do Brasil”, pontua Pereira.

O debate técnico em Salvador contou com o endosso de lideranças estaduais e nacionais, que destacaram que o modelo de jornada 6×1 está sob questionamento diante da realidade do trabalhador brasileiro. Manassés Oliveira, presidente da FEACONSPAR e Diretor-Tesoureiro da CONASCON, enfatizou que o tema central é a preservação da saúde do trabalhador.

“Essa escala é um modelo de longa data que impacta a rotina do trabalhador antes mesmo de ele chegar ao seu posto de serviço. Em nossas federações, observamos o desgaste físico decorrente dessa jornada. Apoiar a revisão desse modelo é apoiar a permanência da nossa categoria no mercado com dignidade. Não há sustentabilidade econômica que justifique o impacto na saúde física e mental de quem mantém o Brasil limpo e organizado”, afirma Manassés Oliveira.

A discussão sobre a jornada de trabalho agora ganha tração no Congresso Nacional, onde propostas que visam rever os limites semanais de labor estão sob análise. A CONASCON tem monitorado a tramitação desses projetos e articulado junto aos parlamentares a importância da mudança. Moacyr Pereira sublinha que a Confederação acompanhará o posicionamento das casas legislativas. “O trabalhador está atento. A Confederação fará questão de lembrar, na próxima eleição, quais parlamentares votaram a favor ou contra a qualidade de vida da nossa categoria. Aqueles que não priorizarem o trabalhador agora, serão avaliados nas urnas”, conclui o presidente.