Crise climática e trabalho
CONASCON integra campanha global em defesa dos trabalhadores de limpeza e segurança

postado em: Notícias | 0

No Dia Internacional da Justiça, celebrado em 15 de junho, a CONASCON integrou a campanha mundial Resistindo ao Clima, lançada pela UNI Global Union em parceria com sindicatos filiados de 21 países.

A iniciativa marca o lançamento do relatório Weathering It: Protecting Cleaners and Security Officers in an Era of Extreme Weather — a mais abrangente pesquisa já realizada sobre os impactos das mudanças climáticas para trabalhadores de limpeza e segurança no mundo.

Os dados são contundentes. Globalmente, 62% dos trabalhadores afirmam que os eventos climáticos extremos tornaram seu trabalho mais difícil ou perigoso nos últimos três anos. No Brasil, o número é ainda mais alarmante: 94% dos vigilantes reportaram níveis elevados de estresse durante eventos climáticos extremos — a taxa mais alta da América Latina. Além disso, 40% dos trabalhadores brasileiros já perderam turnos ou renda por causa do clima extremo, e apenas 2,9% têm acesso a licença remunerada nessas situações.

Um trabalhador brasileiro ouvido pela pesquisa resumiu com precisão o que milhares vivem todos os dias: “Coloco minha vida em risco ao me expor nas ruas para chegar ao trabalho.”
Os números revelam uma contradição que a CONASCON vem denunciando há anos: esses trabalhadores são os primeiros a sair quando a chuva cai, quando o calor sufoca e quando as enchentes avançam — limpando hospitais, escritórios, aeroportos e ruas — e são os últimos a receber qualquer proteção.

A pesquisa, realizada com 5.857 trabalhadores em 21 países, aponta que aproximadamente 1 em cada 4 empregadores não adota nenhuma medida de proteção durante eventos climáticos extremos. Apenas 4,9% dos trabalhadores têm acesso a licença remunerada durante emergências climáticas e somente 7,2% receberam algum treinamento de segurança para essas situações. O relatório também destaca que 71% sofreram pelo menos um impacto físico à saúde por trabalhar em condições climáticas extremas — desde exaustão pelo calor e desidratação até doenças respiratórias.
Em todo o Brasil, sindicatos filiados à CONASCON realizaram ações em alusão à data, reforçando na prática o que o relatório aponta em números: a necessidade urgente de políticas concretas de proteção para quem mantém nossos espaços limpos e seguros todos os dias.

A campanha Resistindo ao Clima reforça a pauta que a CONASCON já vem defendendo institucionalmente — da regulamentação da NR-38, que estabelece obrigações de saúde e segurança para o setor, à proposta de inclusão dos trabalhadores da limpeza urbana entre os grupos prioritários do Calendário Nacional de Vacinação. O relatório da UNI Global Union chega como mais um argumento irrefutável: trabalhadores essenciais precisam de proteção essencial.

O relatório completo está disponível em:

www.uniglobalunion.org/report/weathering-it.