Uma iniciativa do governo paulista busca reverter o descompasso na inclusão de profissionais com deficiência no mercado de trabalho, ampliando as chances de contratação desde a fase de triagem dos currículos. A estratégia integra o programa Meu Emprego Inclusivo, cujas diretrizes foram acompanhadas nesta quinta-feira (25) pelo SIEMACO-São Paulo e uma comitiva do Programa de Inclusão da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho, em visita técnica à sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPCD), na Barra Funda (zona oeste).
Pelo modelo adotado na política pública, que atende 93 municípios, quando as empresas parceiras abrem processos seletivos, a secretaria realiza o levantamento de perfil técnico e encaminha os currículos sem especificar a deficiência de cada candidato. O objetivo é assegurar que a escolha dos recrutadores seja pautada estritamente pelas aptidões profissionais.
O programa baseia-se na metodologia do Emprego Apoiado, já consolidada na Europa e nos Estados Unidos. O sistema prevê o acompanhamento contínuo do trabalhador e da empresa antes, durante e após a contratação, visando à retenção do funcionário em postos competitivos.
“O programa trabalha com a ideia de que a empresa está contratando um profissional e não a deficiência dele”, afirma Silvana Souza, diretora sindical e representante do SIEMACO-SP. “Aprendemos que não se deve usar o termo PCD de forma generalista. O que existe é a pessoa, com o direito de se qualificar, estudar e seguir uma carreira. Quando rotulamos, deixamos de enxergar o indivíduo”, completou.
A necessidade de políticas ativas é evidenciada por indicadores oficiais da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2022 apresentados no evento. Apenas 5 em cada 10 pessoas com deficiência na faixa de 30 a 49 anos estão inseridas no mercado de trabalho, ante 8 em cada 10 entre a população sem deficiência.
Engrenagem Econômica
Além do aspecto social, técnicos da secretaria ressaltaram os reflexos econômicos do cumprimento da Lei de Cotas (lei nº 8.213/1991). Estimativas da pasta indicam que a aplicação efetiva da legislação injeta mensalmente cerca de R$ 416 milhões na economia em consumo de cestas básicas, além de gerar R$ 1,4 bilhão em contribuições para a Previdência Social.
“Não olhamos para a limitação, mas para as habilidades e o potencial de cada pessoa. É isso que buscamos mostrar às empresas”, destacou Maria Vilma Roberto, coordenadora do Programa Meu Emprego Inclusivo SP. A valorização das escolhas individuais também foi lembrada por Silvana Gimenes, coordenadora do programa: “Todo mundo escolhe o que quer ser. Por que a pessoa com deficiência não pode?”.
Para o especialista em tecnologias assistivas da secretaria, Marco Antonio Pellegrini, as ferramentas tecnológicas e o acompanhamento permanente são o que garantem a evolução do trabalhador na vaga. “O trabalho representa autonomia, dignidade, pertencimento e a possibilidade de construir um projeto de vida. A tecnologia oferece ferramentas importantes, mas elas precisam ser utilizadas durante todo o processo, não apenas na contratação.”
Barreiras a superar
A comitiva de lideranças foi organizada pelo Espaço da Cidadania, grupo que atua na articulação social pela inclusão. Para o coordenador da entidade, Carlos Aparício Clemente, o movimento sindical ainda precisa avançar no uso de convenções coletivas como instrumento de inserção.
“Hoje, infelizmente, a maioria delas ainda ignora essa pauta e, quando a aborda, raramente cria condições para que a inclusão aconteça de forma efetiva. Isso porque quem precisa discutir a inserção das cláusulas precisa conhecer a realidade das pessoas com deficiência”, apontou Clemente.
A persistência do trabalho das entidades paulistas foi elogiada pelo especialista em políticas públicas Martín Nieves, da Intendência de Canelones, no Uruguai, que acompanhou a comitiva. “Vocês são exemplos para toda a América Latina pelo trabalho persistente em registrar e sistematizar, compartilhando esse exemplo com outros países.”
A delegação foi recebida pelo diretor da SEDPCD, João Manoel Scudeler de Barros, e pelo coordenador técnico da entidade, Eduardo. O encontro encerrou o ciclo de sete visitas técnicas do setor. A etapa final da iniciativa, que serve como preparação para o fórum de debates sobre empregabilidade inclusiva, ocorrerá no dia 8 de julho, no auditório da sede do SIEMACO-SP.
Por Alexandre de Paulo (MTb 53.112/SP), com informações do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco; Fotos: Divulgação/SIEMACO-SP
FONTE:https://www.siemaco.com.br/2026/06/29/programa-de-empregabilidade-propoe-focar-nas-competencias-do-candidato-e-nao-na-deficiencia/