Encontro Diálogo com o Trabalhador, realizado na quinta-feira (17), reuniu dirigentes da confederação, da FEMACO, da CNTV e da UNI Américas para preparar dirigentes e assessores para o trabalho de base
A CONASCON participou da organização do encontro “Diálogo com o Trabalhador: Conhecer e ser reconhecido”, realizado na última quinta-feira, 17 de setembro, em Salvador. O treinamento foi promovido pela UNI Global Union Américas e teve o SIEMACO Salvador como anfitrião, com participação da FEMACO. O público foi formado pelos dirigentes e assessores do SIEMACO Salvador, sindicato que representa os trabalhadores terceirizados do setor de Asseio e Conservação da capital baiana.
A UNI Global Union é a federação sindical internacional dos trabalhadores do setor de serviços. Com sede em Nyon, na Suíça, representa mais de 20 milhões de trabalhadores em mais de 150 países. No continente, atua por meio da UNI Américas, cujo setor de Limpeza e Segurança é presidido por Moacyr Pereira, presidente da CONASCON. A parceria entre a confederação e a entidade internacional levou o treinamento a Salvador.
Para Moacyr Pereira, o resultado do treinamento se mede no que os participantes levam para os locais de trabalho. “Todos que participaram saíram daqui com um aprendizado suficiente para chegar à categoria, aos trabalhadores e às trabalhadoras, e mostrar a importância do sindicato para a sociedade e para os trabalhadores”, afirmou.
A CONASCON representa em âmbito nacional os trabalhadores em empresas de prestação de serviços de Asseio e Conservação, Limpeza Urbana e Áreas Verdes. Ao organizar o encontro, a confederação investiu na formação de quem está na linha de frente do sindicato. O assessor sindical é quem vai aos locais de trabalho, ouve as reclamações e leva as demandas da categoria para dentro da entidade. A pauta dos trabalhadores foi além de salário e jornada e passou a incluir saúde mental, assédio e pressão no ambiente de trabalho. Por isso, essa função exige cada vez mais preparo.
A programação começou pela manhã com o painel “Futuro do Sindicalismo”. Moacyr Pereira falou sobre a estrutura sindical brasileira, em que sindicatos, federações e confederações atuam em conjunto na defesa da categoria. Maurício Roxo, presidente do SIEMACO Salvador, apresentou a experiência recente de fortalecimento da entidade baiana. Marvin Largaespada, diretor regional da UNI Américas Limpeza e Segurança, tratou do sindicalismo internacional. José Boaventura Santos, presidente da Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), abordou os desafios da organização sindical dos vigilantes.
Largaespada destacou que o apoio da entidade internacional ao sindicato baiano é um investimento na formação de novas lideranças. “Na UNI, estamos fazendo um esforço para que o SIEMACO Salvador possa crescer, se fortalecer e ter boas lideranças, preparadas e capacitadas em temas importantes e, sobretudo, atualizadas sobre o que se passa no mundo”, disse.
Para Boaventura, vigilantes e trabalhadores do Asseio e Conservação enfrentam o mesmo desafio de organização. “O vigilante e o trabalhador do Asseio e Conservação muitas vezes estão no mesmo local de trabalho, contratados por empresas terceirizadas e sofrendo a mesma pressão. O desafio é chegar a esse trabalhador, que fica isolado no posto, muitas vezes sozinho a noite inteira. Por isso a troca de experiências entre as categorias fortalece todo mundo”, afirmou.
Em seguida, Roberto Santiago fez a palestra “O que o momento político atual exige da organização sindical”. Presidente da FEMACO, ele também ocupa os cargos de vice-presidente da UGT Nacional e do SIEMACO São Paulo. Santiago defendeu que o nome SIEMACO carrega um método de trabalho construído a partir da base. “SIEMACO significa um modo de trabalho, um modo de organização. É um trabalho de base, de trazer a categoria para dentro do sindicato, de estar na porta dos locais de trabalho todos os dias e de ter uma equipe preparada e treinada, em número suficiente, para efetivamente atender os trabalhadores. E este evento traz isso”, afirmou.
À tarde, o debate se voltou para as condições nos locais de trabalho. Daniela Sousa, diretora do SIEMACO São Paulo, conduziu o painel “Respeito, diversidade, saúde e a nova redação da NR-1”. Ex-coletora e primeira mulher a exercer a função na Ecourbis, ela apresentou a campanha “Respeite Todo Mundo” e tratou de assédio e discriminação, diversidade e inclusão e saúde mental. A NR-1 foi atualizada pela Portaria MTE nº 1.419/2024 e passou a obrigar as empresas a identificar e gerenciar os riscos psicossociais do trabalho, como sobrecarga, pressão excessiva e assédio. Desde 26 de maio de 2026, as empresas que descumprem a regra estão sujeitas a autuação pela fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego.
Na sequência, a roda de conversa “O que estamos encontrando nos locais de trabalho?” abriu espaço para que os assessores do SIEMACO Salvador relatassem as situações que enfrentam na base. Para Daniela, os relatos mostraram a urgência de uma resposta estruturada. “O que eu penso é que, a partir de agora, é preciso ter protocolos de prevenção e de combate a qualquer tipo de violência no ambiente de trabalho, porque me parece que hoje essa questão do protocolo ainda não está clara. O assessor acaba sendo um psicólogo. Como eles contaram, eles escutam as demandas dos trabalhadores e, muitas vezes, a resolução desses problemas foge do alcance deles”, afirmou.
A cobrança por protocolos tem respaldo na legislação. A Lei 14.457/2022 determina que as empresas com CIPA, hoje Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio, adotem regras de conduta sobre assédio sexual e outras formas de violência. Essas empresas também devem fixar procedimentos para receber e acompanhar denúncias e promover capacitações periódicas sobre o tema.
O encontro terminou com estudos de caso e exibição de vídeos. Como anfitrião, o presidente do SIEMACO Salvador, Maurício Roxo, agradeceu às entidades que tornaram o treinamento possível. “Quero agradecer à UGT Nacional, à CONASCON e à UNI. Eventos como este nos ajudam a qualificar ainda mais os nossos assessores, para que eles possam fazer um trabalho cada vez mais de excelência para os nossos representados”, disse.
Foi a segunda vez neste ano que a CONASCON esteve em Salvador. Em maio, a confederação realizou na capital baiana o seu 2º Encontro Nacional, com lideranças de todo o país e representantes da Justiça do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho e Emprego.

