Trabalhadores da limpeza, estudantes e funcionários da UnB protestam contra possíveis cortes

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A Universidade de Brasília tem um deficit orçamentário estimado em R$ 92,3 milhões para 2018. Reduzir despesas com terceirizados e custeio é a principal saída apontada pela administração

Diante do risco de demissão de terceirizados da limpeza da Universidade de Brasília (UnB), cerca de 300 pessoas, entre técnico-administrativos, alunos e os próprios terceirizados, protestaram nesta segunda-feira (26/3), na Reitoria e em outros pontos do câmpus Darcy Ribeiro, na Asa Norte, carregando faixas e cartazes com palavras de ordem.

 

A diretora de Comunicação Institucional e Política do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Ludmila Brasil, afirmou que os discentes também estão se mobilizando em apoio aos funcionários. De acordo com ela, um grupo de estudantes, trabalhadores e sindicato se formou para demandar transparência e respeito.

“Vamos continuar mobilizando a universidade pela recomposição do orçamento da universidade”, completa. Os centros acadêmicos dos cursos de sociologia e antropologia convocaram assembleia para discutir uma possível paralisação dos estudantes contra o “corte de gastos e a favor de todos os servidores terceirizados”.

O coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), Rogério Marzola, afirma que há outros caminhos que não a demissão de servidores terceirizados. “Temos de procurar a alteração nos contratos, rever a margem de lucro dessas empresas, que é muito elevada”, diz. Ele acrescenta que a direção da UnB se comprometeu a negociar com os trabalhadores nesta terça-feira (27). “Amanhã apresentaremos nossas propostas. Como se dispuseram a negociar, nos mantemos mobilizados, mas sem deflagração de greve.” 

Em nota, a UnB afirma que “respeita e acolhe a manifestação dos servidores, estudantes e funcionários ocorrida na manhã desta segunda-feira (26)”. “Tais espaços de ação são legítimos, bem como os meios utilizados”, Deficit de R$ 92,3 milhões.

A Universidade de Brasília (UnB) enfrenta um impasse para conseguir manejar o deficit orçamentário. Na sexta-feira (23/3), diretores de institutos, faculdades e órgãos auxiliares se reuniram com o objetivo de discutir planos para enfrentar a atual situação de crise. Entre as principais alterações propostas estão as dos contratos de prestação de serviço, que incluem servidores da limpeza, o Restaurante Universitário (RU) e os contratos de estágio.

A Universidade de Brasília tem um deficit orçamentário estimado em R$ 92,3 milhões para 2018. Por meio do aumento de receita e redução de despesas, com o objetivo de tirar as contas do vermelho, a UnB espera um aumento de R$ 50,8 milhões. A universidade calcula que será necessária ainda uma redução orçamentária de R$ 39,8 milhões.

Para alcançar esse valor, os contratos de prestação de serviços e o orçamento de custeio precisariam ser reduzidos. Os primeiros contabilizam R$ 214,5 milhões, enquanto o segundo – que inclui contas de água, luz, limpeza e segurança – custa R$ 137 milhões. Entre os contratos de prestação de serviço, podem ser prejudicados principalmente os servidores terceirizados da limpeza.

Documento assinado pela Prefeitura da UnB a que o Correio teve acesso reitera a gravidade da situação orçamentária. O texto aponta ser necessária a redução de 55% do contrato de limpeza a partir de 16 de maio de 2018. De acordo com representante da RCA, empresa responsável pela maioria desses contratos na UnB, os cortes ainda não foram oficializados, mas citados em reunião.

O diretor de Terceirização da UnB, Júlio Versani, afirma que não teve acesso ao documento, mas que foi feito um levantamento por parte da administração superior, o qual apresentou percentuais que devem ser adotados para que a universidade consiga reverter o deficit. “Possivelmente todos os contratos da Fundação Universidade de Brasília (FUB) devem passar por revisão”, acrescenta. 

Restaurante Universitário

Uma das alterações previstas no orçamento da UnB é na política de subsídios ao Restaurante Universitário, isto é, há a possibilidade de alteração do preço e fim do subsídio para servidores e terceirizados, o que antes não ocorria. No ano passado, segundo a diretora do RU, Cristiane Costa, uma revisão do contrato com a empresa terceirizada que dirige o Restaurante Universitário reduziu 15% do valor gasto no local, que recebe 12 mil pessoas por dia, no câmpus Darcy Ribeiro. 

Desde o corte, o café da manhã oferece um pão a menos, não disponibiliza mais suco nem iogurte. No almoço, as porções das proteínas e frutas também foram reduzidas. Além disso, o contrato previa que lanchonetes funcionariam no RU, com máquinas automáticas, mas elas foram retiradas. Mesmo com o desfalque no cardápio, não houve demissão de funcionários. 

A proposta do início do ano, elaborada pelo Conselho de Administração (CAD), foi de um aumento de R$ 2,50 para R$ 6,50 aos estudantes. O segundo grupo, incluindo os visitantes, pagaria R$ 13. O acréscimo representaria 160% em relação à tabela vigente, mas a votação, que seria inicialmente realizada em fevereiro, foi adiada.

 

CORREIO BRASILIENSE

* Estagiário sob supervisão de Mariana Niederauer

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