Gari diz que foi proibida de comer em restaurante de Brasília por usar uniforme

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Mulher denuncia que foi acusada de ‘constranger clientes’. Defesa do restaurante afirma que houve ‘um grande equívoco’ porque marmita promocional era para comer fora do local.

Uma gari denuncia um restaurante da Asa Sul, em Brasília, por discriminação. Fátima Dias, que trabalha no Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU), diz que foi proibida de comer uma marmita no local porque estava com roupa de trabalho.

 

Segundo a servidora do SLU, uma funcionária do restaurante pediu que ela e dois colegas saíssem porque estavam “constrangendo os clientes”.

 

O Restaurante e Bar Brasil fica na quadra 312 Sul. A defesa do estabelecimento afirma que a cliente [gari] “cometeu um grande equívoco” porque comprou uma marmita em preço promocional, que “é para ser consumida fora do restaurante” (saiba mais abaixo).

 

Em uma rede social, Fátima compartilhou a situação. Ela contou que após comprarem as marmitas, os colegas perguntaram se poderiam almoçar no estabelecimento.

 

“A funcionária disse que não poderia sentar lá, porque iria constranger os clientes que fossem almoçar lá”, publicou Fátima, com a foto do restaurante.

 

A publicação teve grande repercussão. Até a manhã desta quarta (19), eram quase 800 compartilhamentos e cerca de 200 comentários.

 

Muitas opiniões são em solidariedade aos garis. Uma internauta ironizou: “Então os garis não podem limpar a rua em frente ao restaurante. Irão constranger seus clientes. Falta de respeito com as pessoas que deixam nossa cidade limpa”.

Outra mulher disse: “Meus colegas de trabalho não estão reclamando de maus tratos e sim de discriminação. Discriminação essa que o trabalhador não pode sentar no restaurante só porque estava vestido de gari”.

 

A TV Globo tentou contato com Fátima, mas as ligações não foram atendidas.

O diretor de Comunicação do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Urbana, Raimundo Nonato, informou que a entidade não foi procurada para fazer uma denúncia, mas que “isso acontece com frequência”.

 

“Tem restaurante que fala: ‘eu te dou a marmita pra você não ficar aqui’. É lamentável. Estamos vivendo uma situação de pandemia bastante complicada, onde essa categoria que faz um trabalho essencial ao público, à sociedade de Brasília, e é tratada dessa forma”.

Garis denunciam discriminação em restaurante na Asa Sul

 

O que diz o restaurante

 

Os proprietários do restaurante dizem que os garis chegaram antes das 11h, quando o local ainda não estava aberto ao público. “Eles queriam as marmitas que estavam sendo anunciadas em promoção, por R$ 10”, explicam.

 

“A marmita da promoção é pra ser consumida fora do local”, aponta o restaurante.

Por causa dos comentários negativos nas redes sociais, o advogado do estabelecimento, Guedes Fernandes, registrou ocorrência policial. “Simplesmente, a dona Fátima cometeu um grande equívoco com a gente. Se por acaso a gente tiver atingido a dona Fátima, a gente pede desculpas”, disse o advogado.

 

Segundo Guedes, a marmita a preço acessível é para “manter o estabelecimento e continuar com a estrutura laboral, em meio à pandemia do novo coronavírus”. Ele afirma que o restaurante teve que fechar as portas em 19 de março e só reabriu no dia 15 de julho.

 

“Colocou-se essa promoção de quentinha a R$ 10 como um atrativo para o estabelecimento se manter em pé”, explicou o advogado.

 

 

Por Laura Tizzo, TV Globo

 

19/08/2020 17h09  Atualizado há 19 horas

 

Restaurante e Bar Brasil na Asa Sul, em Brasília  — Foto: TV Globo/Reprodução 

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